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UE suspende importações de carnes do Brasil nesta quinta-feira; o que acontece agora?

Decisão vale para carnes bovina, de frango e suína, além de pescados, mel e ovos. UE realiza nesta semana auditoria em produtores frango e mel, mas resultado pode demorar cerca de dois meses.

Publicada em 03/09/26 às 08:25h - 30 visualizações

por Paula Salati, g1 — São Paulo


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Imagem ilustrativa de carne bovina.  (Foto: Wenderson Araujo/CNA)
Começa nesta quinta-feira (3) o embargo da União Europeia a produtos de origem animal do Brasil. Com a medida, o país fica impedido de exportar carne bovina, suína, frango, mel, pescados e ovos para as 27 nações do bloco.
A decisão pode ser revertida, a depender das negociações entre a UE e o governo brasileiro. Nesta semana, por exemplo, o bloco realiza no Brasil uma auditoria nas cadeias de produção de frango e mel, que deve ser concluída até sexta-feira (4). O resultado, porém, ainda será analisado pela UE, processo que deve levar cerca de dois meses.
A UE anunciou a medida em maio, após excluir o Brasil da lista de países que cumprem as suas regras sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. Essas substâncias são usadas para tratar infecções em animais, mas o bloco proíbe seu uso para estimular o crescimento. Também proíbe o uso, em animais, de antimicrobianos reservados ao tratamento de seres humanos. (entenda aqui)
A medida não foi motivada por irregularidades encontradas na carne brasileira, mas pela avaliação da União Europeia de que o controle feito pelo Brasil sobre o uso dessas substâncias é insuficiente.
As carnes bovina e de frango são os produtos mais afetados, pois estão entre os itens de origem animal mais exportados pelo Brasil para a UE. Ainda assim, representam uma parcela pequena do valor total exportado pelo país.
Representantes do agro brasileiro viram na medida um ato protecionista, uma vez que a decisão foi anunciada dias após a entrada em vigor do acordo de livre comércio entre a UE e o Mercosul.
O tratado foi alvo de forte resistência de agricultores europeus, que temem a concorrência de produtos sul-americanos mais baratos, sobretudo do Brasil, principal exportador agrícola do Mercosul para a União Europeia.
Os demais países do bloco — Argentina, Paraguai e Uruguai — seguem autorizados a exportar para os europeus.
Na quarta-feira (2), a Confederação Italiana de Agricultores (Cia-Agricoltori Italiani), uma das maiores entidades do setor na Itália, apoiou o bloqueio às carnes do Brasil e disse que a decisão "representa uma possível mudança de rumo na política comercial do bloco", segundo informou a agência de notícias italiana Ansa Brasil.
"É uma decisão importante, que vai ao encontro do que a Cia defende há muito tempo", afirmou o presidente nacional da organização, Cristiano Fini.
Segundo ele, a Europa deve assegurar "regras e condições iguais para todos", para que os acordos comerciais promovam crescimento econômico, e não dificuldades para as empresas europeias.




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